Rádio peão
Sua intensidade pode denotar carência de comunicação dirigida

Encarada por muitos profissionais de Recursos Humanos como uma inimiga a ser combatida, a proliferação da velha conhecida Rádio peão segue imune a novas técnicas de gestão e políticas de relacionamento. A grande razão disso é que ela é um processo natural que ocorre em menor ou maior escala em qualquer grupo de pessoas. Como se sabe, empresas são formadas por gente e é perfeitamente compreensível que sintam vontade de se comunicar. Sobretudo em relação ao que representa o seu maior assunto em comum: o local de trabalho.

A própria nomeação do fenômeno de ‘Rádio peão’ denota um preconceito sobre a sua origem e é falha na medida em que categoriza o processo de comunicação. Afinal, a rádio peão também existe entre profissionais qualificados que muitas vezes atuam no corpo diretivo de uma organização. Não que ela seja completamente inofensiva, pois se sabe que invariavelmente dá mais atenção a fofoca e deixa o trabalho em segundo plano. Isso é de conhecimento de todos, inclusive, do gestor da empresa. Afinal, quem nunca deu ouvidos aos cochichos e novidades em algum momento da vida profissional?

Dependendo da intensidade e do conteúdo que é abordado na rádio peão é possível tirar algumas conclusões. A mais importante delas é que nesses casos é evidente a carência de comunicação dirigida e de uma política mais clara de relacionamento. A ato de se comunicar é inerente ao ser humano e quando a empresa se furta de fornecer os meios para isso a rádio peão entra em cena. Em casos como esse tudo que acontece é motivo para fofoca e o processo comunicativo se resume a uma série de boatos cujo viés é via de regra negativo. A comunicação interna deve ser norteada em empresas de qualquer porte pelo comprometimento. Não é justo e responsável ignorar o papel dos líderes nesse processo. Eles são peças fundamentais e devem ser os primeiros a se preocupar com o processo. A responsabilidade é de todos e por isso deve ser compartilhada. Comunicar de forma clara e eficaz acontecimentos que influenciam diretamente a vida de seus colaboradores não é apenas uma necessidade, mas uma obrigação de qualquer empresa. Esse é um ponto fundamental para criar um ambiente de trabalho que prima pela harmonia. Que dê todas as condições para que as pessoas possam desenvolver seu potencial produtivo.

Uma das grandes dificuldades que os gestores encontram para instalar uma cultura de comunicação interna eficiente é o meio a ser usado. Essa é uma tarefa complexa que exige conhecimento da empresa, seus costumes, cultura e do perfil das pessoas que compõem sua força de trabalho. É preciso também conhecimento dos meandros da comunicação para definir a linguagem a ser usada e os meio para informar. Não se pode informar a todos de uma maneira uniforme e, por isso, é preciso atuar muitas vezes em diversas frentes que podem ser desde intranet até jornais murais. Muitas vezes uma reunião com parte da força de trabalho que não tem acesso aos informes veiculados em informes digitais, por exemplo, já resolve uma demanda de comunicação.

O que se deve ter em vista sempre é que em uma empresa que adota ferramentas de comunicação corporativa, a única preocupação do ponto de vista do gestor é saber quais são os formadores de opinião e a pauta de assuntos abordada corriqueiramente pelos funcionários. A rádio peão deve ser encarada apenas como um canal de informação não oficial e noticioso. Nas empresas que conseguem equilibrar de modo satisfatório o processo de comunicação da direção com sua força de trabalho a rádio peão não será um problema. Ela vai se reduzir a apenas uma manifestação natural que nunca poderá ser extinta, apenas administrada.

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